No Evangelho de Marcos (2:16-17), Jesus nos ensina que a missão do Reino não se cumpre no isolamento, mas na proximidade. Ao ser confrontado pelos fariseus por se sentar à mesa com pecadores e publicanos, Ele deixou claro que Sua prioridade não era a manutenção de uma “pureza estética”, mas a restauração de vidas. Jesus declarou que os sãos não precisam de médico, apenas os doentes. Com isso, Ele estabeleceu um princípio fundamental: a mensagem do Pai deve ser vivida e propagada onde a necessidade é maior, e não apenas em redutos de quem se considera “espiritualmente saudável”.
Infelizmente, ainda hoje o espírito dos fariseus sobrevive em muitas denominações que pregam o isolamento e o exclusivismo. Muitas vezes, o conselho dado em escolas dominicais é o de “afastar-se de quem não pertence à nossa placa” para evitar a contaminação. Essa mentalidade transforma a igreja em um “clubinho religioso” ou em uma “área VIP cristã”, repetindo o erro dos discípulos no monte, que queriam fazer tendas e ficar isolados da multidão pecadora. No entanto, o Evangelho não nos chama para viver em uma bolha de santidade performática, mas para sermos fortalecidos pelo Espírito Santo a fim de estarmos presentes onde a dor e a carência habitam.
Deus não deseja que nos fechemos em muros, jogando pedras em quem está do lado de fora. O propósito de sermos seguidores de Cristo é servirmos de exemplo para aqueles que mais precisam, refletindo o caráter de Jesus de tal forma que as pessoas enxerguem Deus através de nós. Em vez de temer a “contaminação” do mundo, devemos confiar no poder do Espírito que nos habita para sermos agentes de cura. Afinal, a luz não foi feita para brilhar apenas entre outras luzes, mas para iluminar as trevas e guiar aqueles que ainda buscam o caminho da salvação.